Formação Musical: Como a cultura em que vivemos pode caracterizar nossa personalidade musical
Certa vez, conversando com um baterista cubano, falávamos sobre rock. Em sua percepção, brasileiro não toca rock. Explicou que o cymbal em semicolcheia tocado pelos bateristas brasileiros não caracteriza o rock, e sim o samba. Essa conversa me intrigou, e comecei a prestar atenção não só em músicos brasileiros tocando músicas de outros países, mas também músicos estrangeiros tocando música brasileira. Notei a dificuldade dos brasileiros em tocar colcheias, e que a semicolcheia estava quase sempre presente, principalmente em instrumentos percussivos. Já os europeus, demostram um dificuldade imensa em tocar síncopes, ritmo facilmente entendido por músicos brasileiros, mesmo sem formação musical alguma.
Realmente americanos tem mais facilidade para tocar Blues? Alemães são mais bem sucedidos na música erudita? Brasileiro é absoluto em se tratando de bossa nova e samba? Mário de Andrade no seu Ensaio Sobre A Música Brasileira de 1928 constatará: “a música popular brasileira é a mais completa, mais totalmente nacional, mais forte criação de nossa raça até agora” (ANDRADE, 1972. p.7). Essa afirmação define nossa condição como estudantes de música? Derek BAILEY(1993), no livro Improvisation: its nature and practice in music; discorre sobre a dificuldade dos alemães em improvisar, pois na música erudita, a forte tradição da escrita e o número limitado de composições destinadas à improvisação impossibilitaram a proliferação dessa habilidade.
Sendo assim, alemães terão mais dificuldade de improvisar comparados aos americanos jazzistas? E se isso tudo é verdade, o que caracterizou esse problema? A facilidade para a execução de certos estilos musicais está na cultura, na genética ou personalidade de cada um? Onde nascemos e crescemos pode ser um definidor em nossa formação musical quanto a facilidade para aprendizado e execução de alguns estilos e ritmos? Um bom tema para projeto de pesquisa. Criem suas hipóteses!

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